Acompanhantes de luxo e os pequenos inconvenientes da profissão.

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Acompanhantes de luxo e os pequenos inconvenientes da profissão.

Acompanhantes de luxo e os pequenos inconvenientes da profissão | Belas61
Acompanhantes de luxo e os pequenos inconvenientes da profissão.

Falarei sobre o que, pelo menos a este “ser-humaninho” aqui, irrita na abordagem dos clientes. Qual acompanhante nunca, no salão de beleza ou na esmaltaria fazendo as unhas, no mercado pagando suas compras, na loja de grife, na livraria, na massagem ou na academia, recebeu uma ligação, atendeu e do outro lado uma voz masculina lhe indaga: “Oi querida, gostaria de saber como é o seu programa?”.

Analisemos a situação: aquele que liga, deduz-se, está num local privado, a ponto de poder telefonar e fazer tal pergunta, mas é humanamente impossível (ou imbecilmente possível) exigir que a acompanhante só atenda seu telefone em banheiros ou em locais com extrema privacidade, certo?

Então, o que um homem perspicaz deve fazer? (E fazem, os cavalheiros fazem!). Deduzindo que nem sempre você pode “narrar” o que você faz e que isso, por si só, já começa “mecanizando” a relação antes de seu inicio, ele, sabedor que é de suas próprias e masculinas predileções deve ser direto e facilitar a consecução do seu objetivo que é, basicamente, “aferir” a afinidade sexual entre vocês.

Algo mais ou menos assim, bastante compreensível: “Boa tarde querida! Qual o valor do seu cache? Você faz anal? Oral sem camisinha? Faz beijo grego? Curte receber sexo oral? Faz ‘inversão’? Curte DP? Atende casal?”. Você responde o valor, responde os necessários “sim” ou “não” e, dependendo de onde estiver, claro, pode dar mais detalhes e caprichar melhor no senso de humor (homens adoram mulheres alegres, aliás, quem não gosta?).

Às vezes a bem humorada passa por “sem graça”, porque não atendeu a ligação num lugar que lhe propicie se “soltar” e acaba sendo monossilábica! Ademais, ainda que conte tal fato ao possível cliente, não ficará imune a parecer antipática. Por isso o whatsapp é uma ferramenta importante: não substitui o “ouvir a voz”, mas possibilita-nos dar detalhes mais facilmente e independente do local em que estejamos.

Mas, enfim, continuemos na possibilidade de o cidadão telefonar e fazer as perguntas cujas respostas lhes são essenciais e que serão, pela acompanhante, respondidas da melhor forma possível: se ele se agradar, pede um horário, “fechando” com sua agenda, ambos marcam, se encontram e se divertem! Simples, respeitosa, empática e objetivamente!

Algo extremamente desagradável, também é a confusão que muitos moços afoitos fazem entre acompanhante e plantonista hospitalar. A gente não vive só pelo sexo! Temos família, compromissos, lazer, leituras e, inclusive, aquela coisa famosa que, em mim, só é menos “assídua” que a fome… Ah, lembrei, o sono! Ou seja, nós dormimos e não temos obrigação alguma de atender telefonema de madrugada ou antes das 06 da matina. Não temos tal obrigação e nem devemos ou precisamos nos obrigar a “funcionarmos” 24 horas por dia.

O que fazemos é um trabalho, é um oficio. Pode não estar legalmente regulamentado, mas se nós mesmas não passarmos a impor o respeito que nossa classe merece, isso ficará cada vez mais distante, afinal, a sociedade machista e hipócrita prefere fazer conosco o que domésticas preguiçosas fazem com a poeira: empurram para debaixo do tapete. O que não a torna inexistente!

Aliás, homens cavalheiros, normalmente, ligam para marcar com antecedência, inclusive quando pretendem nos encontrar após um compromisso que venha a terminar tarde da noite, por exemplo. Eu, pessoalmente, após 24h30min não atendo o celular. Antes de sexo ser divertido, antes de gozar ser melhor do que comer e dormir, ser acompanhante é uma profissão que vai muito além de deitar numa cama, chupar um pau meio sem vontade e fingir orgasmo, porque está cansada.

Ou seja, é uma profissão e requer da acompanhante o bom e velho profissionalismo e, este inclui a imposição de respeito e até o perfeccionismo, filho mais velho da boa e velha responsabilidade: se você quer clientes de qualidade, se imponha perante eles e demonstre seu profissionalismo estabelecendo seus limites de horários. Resguarde-se!

Para encerrar, outra coisa que me irrita nos contatos, o tal do “oi, meu amor”: Gente, pra que isso? Eu não gosto de ser chamada de “amor”, de “amorzinho”, de “paixão”. Que mania infame de banalizar palavras que remetem a sentimentos tão profundos! Amor eu tenho pelos meus pais e pelo meu time. (Aliás, amor eterno é só o de mãe e o de time). Ou você já viu alguém mudar de “time”? O meu Grêmio vem me causando algumas vergonhas há anos, mas não virei a casaca e ainda não preparei nenhum ataque “terrorista” às dependências do clube.

Chame sua esposa de “amor” ou até a sua “amante” (assim não confunde o nome de ambas), agora eu não sou amante de ninguém não, baby! Posso ter clientes fiéis, posso adorar a companhia de alguns deles, mas se eles tiverem por mim, o mínimo de respeito, saberão que o que faço é uma profissão e que se ficarem uma hora pagarão uma hora, se ficarem uma hora e meia pagarão o equivalente há tal tempo e se passarem a noite comigo a mesma coisa.

Por quê? Primeiro, porque pra se fidelizar comigo o cidadão haverá de ser educado, gentil e respeitoso. E segundo que, se não for assim, não funciona comigo. Eu dispenso! Se eu quisesse fazer sexo de graça e procurar um “grande amor” ou um “marido provedor” eu continuava advogando e dando aula em universidades, vivenciando paixões que, em breve, cairiam na rotina acomodada que tanto asco me causava!

Profissionalismo queridas! A gente deve ter e, se não tivermos que aprendamos a ter: “pra ontem”, minhas caras, “pra ontem”!

Sobre o autor:

Cláudia De Marchi, codinome Simone Steffani, blogueira desde 2007, advogada desde 2005, pós-graduada e ex-professora universitária e agora, colunista do Belas61. Fui uma mulher excelente em relacionamentos amorosos sérios e péssima em aceitar o comodismo de quem acha que “eu te amo” é titulo translativo de propriedade.

4 Comentários

  1. Maroto 10 de Maio de 2017 at 07:47 - Reply

    Só quero saber de curtir, às vezes, com alguém que esteja disposta a oferecer com supremacia o que se destinou a fazer. Bjs a todas e muito sucesso. Cuidem-se. 😉

  2. Marvin 5 de setembro de 2016 at 18:35 - Reply

    Penso que essa será uma eterna discursão ! Ambos os lados com farpas a trocarem …
    O profissionalismo é importante pra toda profissão. seja ela qual for, Mas é preciso ponderar um pouco também os dois lados, pois o que está sendo contratado num é uma consultoria de advogado ou um atendimento médico ou ainda um produto acabado, por mais fino e requintado que seja.

    São duas coisas subjetivas, portanto difícil de mensurar !

    Acredito que um não pode ser tão formal como é o caso das acompanhantes, e o outro não pode ser exigente a ponto de ser grosso ou inconveniente só poque está pagando.
    Em falar de pagamento, não existe caro ou barato, existe o combinado !
    E ambas as partes precisam fazer valer a pena.

    Como parece ser a rotina da acompanhante que escolheu essa condição ainda que temporária ou não, é interessante que ela saiba lidar com as diversas personalidades que possam aparecer em seu caminho, alguns claramente desequilibrados, outros nem tanto … embora possa haver momentos de prazer.

    Há quem queira apenas usar a garota transar forte, suar, desistressar… simplesmente gozar sem se importar com ela …. e há também quem queira apenas uma compainha agradável, fina, educada.

    Eu particularmente sou do cara que gosta de conhecer a garota e tornar a coisa menos massante! Não tem graça se a outra pessoa não tá curtindo você também , tem que ser legal para as duas partes !
    Mas tenho ciência de que minha esposa ou namorada não é ela, e se fui atrás desse momento, é porque quero algo que ainda não tenho, ou simplesmente safadeza !

  3. arlindo 19 de agosto de 2016 at 16:47 - Reply

    Resumindo Claudinha: Prostitutas de luxo!
    Mas vc tem razão…o respeito e consideração são essenciais. Prá qualquer pessoa ou profissão.
    Mas vocês não são seres especiais…são prostitutas como qualquer outra…de luxo,mas prostitutas!
    Então não venha a esse site se fazer ou se dar importância acima dos clientes…vocês existem porque nós pagamos por seus serviços e pagamos com prazer, diga-se de passagem; os motivos que nos levam a procura-las, não vem ao caso…são vários, como você deve saber; mas o primordial dessa (palavra suprimida) toda, é que vocês procuram uma maneira de ganhar muito dinheiro usando seus corpos ao invés de encararem oito horas de trabalho em uma empresa. Essa é a verdade pura e simples! Não estou aqui prá julgar ninguém…cada um faz o que quer da sua vida…nada tenho com isso…mas ditar comportamentos dos seus clientes, também não tá com nada. Reflita. Prá terminar, te parabenizo por abdicar de ser advogada…vocês são mais (trecho ofensivo suprimido)
    Em tempo: sou cliente assíduo das acompanhantes e as amo muito…do meu jeito de ver o amor!
    Beijos prá todas vocês

    • Isa 23 de agosto de 2016 at 04:08 - Reply

      Não entendi o primordial ser nós usarmos nossos corpos para ganhar dinheiro ao invés de trabalharmos 8h em uma empresa. Devo imaginar que, você usa o seu dinheiro para pagar acompanhantes pq não consegue sexo de outra forma?
      Achei o texto bem polêmico, sou acompanhante e em quase nada concordo com ele, mas de tudo isso, o primordial é a escolha da profissão???? Quem não quer trabalhar menos e ganhar mais?
      Tantos pontos para serem questionados e vc se limita a esse?
      Ela fala em profissionalismo, diz que não atende antes de determinado horário, nem depois de tal hora. Mas no horário em que deveria estar atendendo às ligações, está fazendo a unha, na massagem, no mercado?
      Acho que muitos pontos aí, podem ser discutidos, mas a escolha dela, não.

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