Muito tem se discutido acerca da regulamentação da prostituição no Brasil, há quem veja a atividade sexual remunerada apenas como um trabalho como qualquer outro, há quem defenda que a atividade é uma forma de subjugar a mulher e explorar suas fraquezas. Estamos muito longe de chegar a uma unanimidade de opiniões. Levantar uma bandeira defendendo a causa e a atividade exige cautela e divide opiniões, mas garantir direitos e assegurar que a pessoa que optou por exercer essa profissão não seja vítima do preconceito e do trabalho sem garantias é dever de todos.

Todos nós apoiamos causas em prol dos direitos  de diversas classes trabalhadoras, as prostitutas representam apenas mais uma classe, merecem ter asseguradas segurança, merecem poder recolher impostos para uma futura aposentadoria, merecem receber críticas dignas, você não entra no consultório de uma médica dizendo: “Essa  perva não me curou, nunca deveria ter me consultado com essa rata!”. Você cliente tem todo o direito de reclamar de um serviço, mas até para isso é preciso ter a consciência e a dignidade de falar de forma educada.

Nós seres humanos temos a tendência a subjugar tudo que for mais frágil, quem luta por direitos de prostitutas? Como alguns dizem elas são apenas putas! Há quem diga que pelo dinheiro que ganham, sem ter que estudar, elas são obrigadas a aguentar esse tipo de coisa. A maioria de nós escolhe um profissão visando os ganhos, 90% dos advogados escolheu a profissão por ser muito bem remunerada, médicos, engenheiros, se médico ganhasse salário mínimo haveriam poucos profissionais dispostos a praticar a medicina. A prostituta também escolheu a profissão pela remuneração. Você mulher que acha que elas ganham muito e não trabalham, tenham um dia de prostituta, não é a profissional do sexo que liga para o seu marido, é o contrário e se a profissão não existisse ao invés de um acordo comercial ele teria uma amante.

Ainda para quem acha que elas cobram muito caro, para a prostituta tudo é mais caro, elas não podem alugar um imóvel na imobiliária, elas não podem comprovar a renda, uma kit alugada na imobiliária por 1.000 reais sai para a prostituta por 2.500 reais, e vejam bem, a atividade não é considerada crime. Já tivemos relatos de garotas que foram proibidas de usar a lavanderia do prédio em que atendem, de garotas que foram obrigadas a fazer sexo com síndicos para que não fossem expulsas de seus imóveis. Em hotéis elas são obrigadas a entregar documentos, dos quais  são feitas cópias, enquanto qualquer outra pessoa que visite um hóspede tem sua entrada liberada sem nenhuma burocracia, em posse de documentos nos quais constam nome completo e  filiação algumas são chantageadas por funcionários de hotéis.

Essa é a realidade da prostituta no Brasil, não é uma luta contra a moral, não é ela que esta sendo discutida, é o legado de respeito pela decisão do outro que deixaremos as gerações futuras, se você não gosta de prostituição? É simples, não seja prostitua! Não gosta de medicina, não seja médico ou médica, mas assim como é assegurado o seu direito de não exercer uma profissão que não gosta, devemos assegurar o direito de escolha do outro.